
Bienal da Maia 2025
Julho 8, 2025
São Miguel de Acha e a sua História
Agosto 7, 2025Dia: Domingo, 20 de Julho de 2025
Inauguração: 17h00, Salão da Junta de Freguesia de São Miguel de Acha
Percurso processional em São Miguel de Acha com paragens e eventos em três Lugares:
Salão da Junta de Freguesia (17h00) — Bairro do Chão do Castanheiro nº2 —, Casa da Cultura — Rua das Canastras nº3 — e ADEPAC — Largo de Santo António s/n
Exposição: De 20 a 26 de Julho, das 16h — 21h, na Casa da Cultura de São Miguel de Acha
Uma vez mais cantar-se-ão as Alvíssaras. Récem-chegado da Bienal de Arte Contemporânea da Maia, cujo tema é Fulgor em alinhamento com a proposta de textualidade de Maria Gabriela Llansol, enquanto alternativa à narratividade, o ATLAS fixa-se no seu (com)texto originário.
A textualidade, no entendimento llansoliano, refere-se às suas figuras; os agentes do mútuo, das ligações inesperadas — que já traduzimos por bandhu —, convocados à mutação das grandes narrativas…E como urgem mutações na História e/ou nas estórias que nos contamos…Texto é também originariamente textus, isto é, tecido. Ou o texto, o tecido urbano e o entretecido de tudo o que nele trans-borda…
No ponto-cruz…Dos cruzeiros da aldeia e nas suas encruzilhadas — Não sem um “olhar intenso que pode acender o fogo ou incendiar o [com]texto”, não fosse esta, em tempos muito antigos, terra de holocaustos (A. Romeiro). O que se expõe é o Corpo de Imagens do ATLAS — e não as imagens de um Corpo —, um Corpo de Afetos; figuras “que tomam parte da mesma problemática”, sendo um afeto “o caminho que me levaria ao íntimo do mundo____desejo, inteligência / Corpo” (Llansol).
As nossas adufeiras, também elas figuras dialogantes com os guerreiros e adufeiros assírios no seu percurso processional em direção às Portas de Ishtar, cantaram e cantarão a “boa-nova da criação anunciada a todo o vidente” — Ainda LLansol. Lembrando que dar as Alvíssaras significa dar a “boa-nova”, a recompensa por algo que se achava perdido, e que em São Miguel de Acha são uma canção cantada por ocasião da Páscoa, anunciando a Ressurreição de Cristo — A mesma canção perdida reencontrada no filme O Rei das Rosas de Werner Schroeter, que ressurge com a imagem do peito nu do Amante; enquanto este respira profundamente…Aqui, ins-pira e ex-pira — incendeia — o coração dos adufes da Memória que veio ao nosso encontro…Mais res-peito, por favor!
Este, o efeito específico da configuração singular, de cada encontro (no espaço-nó da comunidade a que fiz referência) que, atravessando os mitos e arquétipos que dão forma ao mundo, e ao texto, os confirma na certeza inabalável de que o mútuo não é um acidente, nem repetível arbitrário, mas o autêntico motor da mudança de narrativas e da metamorfose dos corações. Porque só isso passa, para voltar sempre mais próximo do Amante (Llansol).
Madalena Folgado (dir.art)
UM ATLAS COM CAMINHOS PARA QUE O MUNDO NÃO SE FECHE conta com o Apoio do
Ministério da Cultura da República Portuguesa / Direção-Geral das Artes. Parceiros: Município de
Idanha-a-Nova / Centro Cultural Raiano; Junta de Freguesia de São Miguel de Acha; ADEPAC,
Associação de Defesa do Património Cultural de São Miguel de Acha; Escola Superior de Artes
Aplicadas (ESART) do Politécnico de Castelo Branco; Escola Superior de Artes e Design (ESAD)
do Politécnico de Leiria; Reconquista — Semanário Regionalista da Beira Baixa e ArteCapital,
Magazine de Arte Contemporânea / Plataforma Revólver, Bienal de Arte Contemporânea da Maia.




