EXPOSIÇÃO do Corpo de Imagens de UM ATLAS COM CAMINHOS PARA QUE O MUNDO NÃO SE FECHE.
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Agosto 28, 2025
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A Associação de Defesa do Património Cultural de São Miguel de Acha – ADEPAC (https://adepac.pt ) – (concelho de Idanha-a-Nova), editou o Livro “São Miguel de Acha e a sua História”, da autoria de Manuel Ruivo, o qual será apresentado em sessão pública no próximo dia 16 de agosto 2025 , no auditório da Junta de Freguesia de São Miguel de Acha , pelas 11H00.

O livro tem 138 páginas e conta com uma edição de 500 exemplares. O financiamento da obra, que teve um custo total de 3.100 Eur., foi assegurado, para além da CCDR C-Unidade de Cultura, com a atribuição de um subsídio a fundo perdido, pela Câmara Municipal de Idanha-a-Nova, pela Junta de Freguesia de S. Miguel de Acha e por  uma empresa da região, a Fábrica Lusitana, Géneros Alimentícios, SA.

O livro apresenta quatro capítulos dedicados à história de S. Miguel de Acha: I – O nascer de Acha, uma perspetiva histórica – poderes, religiões e a lenda; II – Após a Reconquista; III – A intensidade dos séculos XVII e XVIII; IV – Afirmação e transformações no Século XIX O autor cede os seus direitos à ADEPAC (Associação de Defesa do Património Cultural de S. Miguel de Acha). Mais do que um livro de história, é um exercício de escuta — escuta dos arquivos, das pedras, das lendas, das vozes antigas, das sepulturas silenciosas, dos papéis esquecidos e dos gestos diários que fazem a vida de uma comunidade. O livro percorre um vasto arco temporal – desde a Antiguidade, com os vestígios romanos, o período suevo-visigótico e a presença árabe, cujas marcas ainda hoje nos interrogam e encantam, até à Alta Idade Média, com a Ordem do Templo e as Comendas, que nos ligam à história maior de Portugal. Atravessa os tempos difíceis da dominação filipina, a construção do reduto defensivo e a elevação a Vila, passando pelas convulsões das invasões francesas e pelas revoluções liberais, até às crises do século XIX e à perda do estatuto de vila. Mas também regista os momentos de resiliência e afirmação da comunidade, refletidos no desenvolvimento social e económico, onde a Igreja desempenhou um papel central, bem como a atividade mineira, as feiras e mercados, e o intercâmbio com outras localidades, documentado no Livro de Imposto do Selo. Este livro procura dar voz à memória coletiva de uma terra que, apesar das adversidades, soube sempre reinventar-se. Chega assim à alvorada do século XX, quando S. Miguel de Acha, já como freguesia, continua a afirmar-se com a mesma coragem de sempre – firme na sua identidade, rica na sua história, viva na sua gente. A ideia central que me guiou ao longo desta obra, foi a de que a história de uma localidade não é periférica. Ela está no coração da História nacional. Aquilo que aqui se passou – os conflitos, as escolhas, os silêncios, as festas, as perdas – ajuda-nos a compreender melhor o país que somos. A História faz-se nos centros, sim, mas também nas margens. E muitas vezes, são essas margens que melhor resistem e conservam o essencial. A arte e a religião : As Telas do Altar Mor da Igreja de S. Miguel de Acha –  A arte e a religião estão presentes nas telas do altar-mor da Igreja de São Miguel de Acha, provenientes do extinto (1834) Convento de Santo António dos Franciscanos, fundado em setembro de 1626 em Idanha-a-Nova. O Professor Catedrático Vítor Serrão, através do projeto ‘Ordo Christi’, lembra a visita que efetuou à Igreja de desta localidade, onde teve o “ensejo de admirar nesta um retábulo epimaneirista com sete telas de altíssima qualidade plástica. São telas proto-barrocas, vinculadas a um pincel culto e sensível inspirado em modelos do naturalismo castelhano e andaluz, encomendadas em 1634”. Destaca-se ainda a qualidade artística do conjunto e a sua filiação estilística no contexto do naturalismo ibérico seiscentista. As telas simbolizam ainda uma certa resiliência cultural da antiga capital da Egitânia, uma região fortemente marcada pela presença romana, sueva, visigoda e árabe, seguida por períodos de declínio. Esse legado artístico sofisticado foi, contudo, revitalizado e projetado em novas localidades da região. O retábulo de S. Miguel de Acha é um microcosmo de processos históricos amplos – da política ibérica à transição artística –, destacando-se como testemunho da capacidade de pequenas comunidades preservarem e valorizarem o seu património, mesmo em contextos de transformação social  radical.   

M. Ruivo                                                                             .