
Um Manual Aberto para o Gesto Sempiterno
Abril 8, 2026
‘Rosa Do Mundo – Música Antiga em Castelo Branco’
Abril 28, 2026Eu Encontro. Ela Acha.
“A grande metamorfose cristã é transformar a mesa num lugar abrangente, num espaço de abertura onde as identidades se reinventam a partir da universalidade do encontro.” (J. Tolentino Mendonça, poeta e cardeal) — Onde se lê “cristã”, leia-se, também, “humana”. E o que é a arte se não essa procura?
De Alexandria — via “Santa Ca’trina”, encontrada no ritmo dos corações do povo de São Miguel de Acha e na ancestral merenda campestre partilhada no dia da sua Romaria — continuamos a avançar para Oriente, até Assur, onde o Sol nos aparece Nascente, lugar homónimo do deus assírio do Sol e da condução da guerra. Estamos junto do Rio Tigre em busca de imagens: Um recipiente para cosmética — leia-se também “cosmos ética”; i.e., à escala de uma ética cósmica. Uma concha; uma tridacna squamosa, datada de sete séculos a.C., à qual foi dada uma configuração antropomórfica e gravados no seu interior um conjunto de músicos — um deles, toca adufe.
No Museu do Pérgamo, em Berlim, onde está exposta, os músicos gravados no seu interior, atribuíram-lhe um dístico po-ético: “Klangbilder” (= imagem sonora); dia 3 de Maio, sob a escuta do grupo de pessoas surdas organizado por Mónica Gomes e na presença de Alice Guerreiro, a atriz e bailarina que se encontra durante esta semana em processo criativo para mudar a escala deste objeto: Tomará a abrangência do seu corpo, numa performance coreográfica a ser apresentada posteriormente.
Alice é Guerreiro como Assur. E, simplesmente, Alice, como a beguina mais jovem de “Na Casa de Julho e Agosto”, de Maria Gabriela Llansol, livro e a casa de seus avós onde passava férias na infância, na Beira-Baixa, na Serra da Gardunha (do árabe = acolhimento), horizonte da aldeia. Connosco, sempre presente está a Ninfa, que significa fonte — ou Nascente — das imagens; a matéria luminosa do pensamento artístico, de Aby Warburg, G. Didi-Huberman, G. Agamben, R. Calasso…e do MANUAL e ATLAS. A segunda parte do livro de Llansol, intitula-se, precisamente, “As Nascentes do Tigre e do Eufrates”…E eis a “universalidade do encontro”…À mesa, pois claro!
Transcorrido o tempo do grandes rios históricos tornar-nos-emos, porventura, seus afluentes em língua gestual.
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UM MANUAL ABERTO PARA O GESTO SEMPITERNO conta com o apoio do Ministério da Cultura República Portuguesa / Direção-Geral das Artes
Parceiros: Município de Idanha-a-Nova / Centro Cultural Raiano; Junta de Freguesia de São Miguel de Acha; ADEPAC, Associação de Defesa do Património Cultural de São Miguel de Acha; Escola Superior de Artes Aplicadas (ESART) do Politécnico de Castelo Branco; Escola Superior de Artes e Design (ESAD) do Politécnico de Leiria; MIRA Galerias; Reconquista — Semanário Regionalista da Beira Baixa e ArteCapital, Magazine de Arte Contemporânea / Plataforma Revólver.




